PIBIG - Primeira Igreja Batista em Itapema-Guaruja



Terca-feira, 07 de Setembro de 2010

Uma História dos Batistas

A origem dos Batistas - Pr. Nilo Tavares Silva

CAPÍTULO 1

Estamos iniciando uma série de estudos sobre a história dos Batistas. Esse capítulo tem como objetivo: apresentar as origens do Movimento Batista, suas teorias e as correntes de batistas originadas nesse movimento até a sua chegada na América do Norte.


1.1. As diversas contribuições sobre as origens


Batistas! Que povo é esse? De onde vem? Como teve inicio e esse grupo evangélico? Que resposta podemos dar queles nos perguntam a respeito da origem das Igrejas Batistas? Donde vieram ou quando apareceram no cenário religioso do Cristianismo? Face grande expansão do movimento Batista no Brasil, apesar das grandes perseguições sofridas por esse grupo de religiosos durante a 2º metade do século XIX, e de como puderam superá-las, faz-se necessário uma melhor explicitação do tema.

Alguns especialistas do assunto têm trazido contribuições que merecem ser observadas: O historiador batista H Leon Mc Beth narra que no século passado, os historiadores trocaram diferentes explanações para explicar a origem dos Batistas. O historiador José Pereira Reis, elucida algumas teorias existentes sobre a origem desse grupo: “A Teoria JJJ ou Jerusalém – Jordão - João; a do Parentesco com os anabatistas do século XVI; e a teoria da Origem dos Separatistas Ingleses do século XVIII.”

As teorias apresentadas podem ser explicitadas da seguinte forma:


Teoria Jerusalém – Jordão - João


Essa teoria é conhecida por três consoantes, que são três JJJ- Jerusalém – Jordão - João. Ambas ligadas teoria da sucessão de Igrejas Batistas organizadas da época de Jesus Cristo até o presente. Esta posição enfatiza o conceito da linhagem sucessória de Igrejas Batistas que se originaram em linha ininterrupta desde os tempos em que João Batista praticava os batismos no Rio Jordão. Tais igrejas têm mantido as crenças e práticas ensinadas no Novo Testamento aonde João veio a batizar Jesus, que escolheu 12 apóstolos e deu-lhes a ordem de pregar as Boas Novas. Dessa missão, se organizou a Primeira Igreja em Jerusalém.

Os que defendem esta teoria pregam o surgimento dos Batistas através da linhagem sucessória, desde o tempo de João até os dias de hoje. Thomas Crosby, David Benedict, Joseph Iviney, Thomas Armitage e J. M. Carroll são os nomes famosos na historiografia inglesa acerca do assunto, sendo que o último deles teve grande influência no Brasil, através de um Opúsculo chamado “O Rastro de Sangue”.


Teoria da influência espiritual dos Anabatistas


Os que defendem esse ponto de vista sobre a origem dos Batistas partem do pressuposto, que houve uma espécie de “Parentesco Espiritual” muito forte com os anabatistas holandeses, chamados também de Menonitas no séc XVI.

Estes estavam ligados, em alguns aspectos doutrinários s primeiras Igrejas Batistas, chamadas de Gerais no começo do século XVII.

Os anabatistas, cujo nome quer dizer rebatizadores surgiram em diferentes partes da Europa antes da época da reforma. Eram grupos anticlericais que combatiam a pratica do batismo infantil, pois esse sacramento era para ser ministrado aqueles que creram em Cristo e que em virtude dessa fé foram regenerados, portanto não deve ser ministrado a crianças. Defendiam também a necessidade de uma igreja de pessoas regeneradas, a supremacia das Escrituras, e a liberdade religiosa. Obviamente, há algumas semelhanças nas crenças dos anabatistas com a dos batistas modernos. Temos como exemplo a defesa da autoridade das Escrituras, em matéria de fé e prática; a separação entre igreja e Estado, o batismo somente de crentes, e a liberdade religiosa. Essa teoria foi defendida por David Benedict, Richard Cook e Walter Rauschenbusch.


Teoria do separatismo inglês


Essa terceira teoria afirma que os batistas se originaram dos Separatistas Ingleses, que eram Congregacionais na Eclesiologia e insistiam na necessidade do batismo somente de regenerados.

Podemos dizer, que a Reforma do século XVI não foi tão profunda na Inglaterra, sendo considerada fraca e incompleta, pois pouca diferença existia entre a Igreja Anglicana, e a Igreja Católica, a religião anterior daquele país. Por causa desse quadro religioso, tivemos o surgimento de um movimento inconformista, separatista, que defendia mudanças mais profundas dentro da igreja da Inglaterra.

Assim sendo, a terceira teoria defende que os batistas foram oriundos desse movimento separatista na Inglaterra, tendo o puritanismo Inglês que apareceu por volta de 1560, como berço desse movimento. Os historiadores Henry Vedder, Robert G Torbert, e o também historiador batista Kenneth Scott Latourette, defendem essa teoria, sendo junto com a teoria dos anabatistas a segunda mais aceita.


1.2 Os Batistas na Inglaterra


A história desse grupo na Inglaterra está intimamente ligada a repressão religiosa que houve naquele país no período que se sucedeu Reforma. Era bastante confusa a situação no início do século XVII. A religião oficial do país era a Anglicana, e essa Igreja foi fundada pelo rei Henrique VIII (1509-1547) por questões de conveniência política e domestica. Não cabe, nos limites dessa dissertação, explicitar essa história já tão conhecida. O que importa é que a Inglaterra, livre da interferência papal tem para si os anatas que fluíam para Roma. O rei resolve seu problema doméstico e torna-se o chefe da Igreja Anglicana, passando a ser seu único e supremo Senhor e até o “Supremo cabeça”, da Igreja. Tudo isso legitimado pelo ato de Supremacia de 1534.

Contudo, apesar dessa aparente reforma, ainda existiam muitos católicos romanos residentes na Inglaterra, apesar das séries de leis existentes contra eles. Após a morte de Henrique VIII vemos o estabelecimento do Anglicanismo no reinado de Isabel. Houve uma tentativa de conspiração que ficou conhecida como a “Conspiração das pólvoras”.

Essa conspiração, descoberta a tempo, pretendia fazer voar pelos ares, o rei e todo o parlamento, provocando uma grande repulsa do povo inglês, pelo catolicismo romano local.

Mas dentro da Igreja Anglicana, havia também um grupo que era considerado dissidente, os puritanos, chamados ministros piedosos. Eram ingleses, escoceses, e americanos no século XVII, buscaram purificar a Igreja da Inglaterra. Entre os vestígios do catolicismo, seus rituais e regras os puritanos aceitavam a doutrina oficial da Igreja Anglicana, mas não toleravam as pompas religiosas e o relaxamento dos costumes. Adotavam uma forma rígida de Cristianismo que a alegre corte de Londres não podia suportar.

Além dos puritanos, havia ainda um outro grupo, espalhado que recebia a designação de “Puritanos Separatistas”. Os primeiros ficaram ligados igreja oficial, enquanto os outros dela se afastaram. Por isso, para compreendermos a vida da igreja inglesa nós séculos dezesseis e dezessete, é necessário distinguirmos entre os puritanos e os separatistas. Os primeiros foram dedicados igreja estabelecida da Inglaterra, mas tinham o grande desejo de reformá-la na direção do Calvinismo. Já os separatistas, consideravam a igreja inglesa como apóstata, e aceitavam que a única reação cristã era a completa saída dela.

E foi exatamente da ala separatista que surgiram os primeiros batistas ingleses, tendo como líderes Jonh Smith e Thomas Helwys. Ficou mais clara também a idéia de distinção entre os dois grupos de batistas existentes na Inglaterra: Os batistas gerais, e os batistas particulares.


Os Batistas Gerais ou Arminianos


Por causa das perseguições, muitos separatistas, refugiaram-se na Holanda, como antes fizeram os anabatistas (Menonitas). Foi lá onde se organizou a primeira Igreja Batista, constituída de cidadãos refugiados da Inglaterra, liderados por Jonh Smyth, clérigo, pregador pago pela cidade de Lincoln, para ensinar as escrituras suplementando assim as deficiências do culto anglicano.

Durante alguns anos, Smyth, exerceu essas funções em Lincoln, mas em 1602, foi demitido, porque algumas coisas que dizia nas suas pregações desagradavam seus ouvintes e mantenedores.

Na verdade, Smyth, passou a adotar as idéias e princípios dos separatistas, e juntou-se a uma congregação em Gainsbourgh. Todavia esse grupo teve que mudar em 1607, para a cidade de Amsterdam em busca de refúgio.
John Smyth, e sua congregação chegaram conclusão que o batismo infantil, praticado pela igreja oficial era feito de forma inválida e inconsistente com o ensino bíblico, bem como a ordenação do clero numa igreja apóstata. Sendo assim, Smyth, resolveu submeter-se a um novo batismo.

Por não achar ninguém que ele considera-se capaz de batizá-lo, batizou-se a si mesmo, e logo após batizou os outros membros do seu grupo. Por essa razão passou a ser chamado de o Se-Batista, ou Self-Batista. Essa igreja de exilados da Inglaterra sob a liderança de Jonh Smyth e Thomas Helwys passou a ser conhecida como a Primeira Igreja Batista, com fundação em Amsterdã, em 1609.

Todavia por adotar a Teologia Arminiana, esses batistas foram chamados de Gerais.


Os Batistas particulares ou calvinistas


Quanto ao surgimento dos batistas particulares, destacamos a participação de Henry Jacob, o qual foi mais um irmão separatista que seguiu o caminho do refúgio entre os exilados ingleses da Holanda, onde foi pastor na cidade de Leyden. Na verdade, Henry Jacob nunca foi batista. No início de 1616, Henry voltou a Londres e fundou uma igreja independente em South-Mark, subúrbio de Londres, chamada ás vezes de “JLJ”, por causa dos seus três primeiros pastores: Henry Jacob; Jonh Lathorp e Henry Jessey. Uma série de questões referentes ao batismo infantil. Acabou criando a primeira cisão nessa Igreja. Em 1638, um grupo se desligou dessa Igreja e juntou-se a Jonh Spilbury na defesa do batismo só de crentes através da imersão. Esta congregação tornou-se a primeira Igreja Calvinista, também chamada Particular ou Regular, devido a sua doutrina de expiação limitada.

A partir de 1644, já havia sete igrejas em Londres onde quinze pastores das igrejas particulares, inseriam uma definição de batismo por imersão numa confissão de fé de 50 artigos. Essa confissão expressava: 1) Teologia Calvinista; 2)Batismo por imersão; 3)Liberdade Religiosa.

Após esta confissão de fé, tivemos também a Segunda Confissão de fé dos Batistas Particulares de 1677 e a famosa confissão de 1689, que serviu de base para as confissões de fé dos batistas modernos de hoje. Os antecedentes do movimento Batista norte-americano podem ser encontrados neste grupo.

A união entre os Batistas Gerais e Particulares, em 1812 permitiu a união entre os diversos lideres batistas e provocou protestos de líderes Calvinistas moderados da época. Essa unificação dos dois grupos foi o prenúncio da Aliança Batista Mundial, formada em 1905.


1.3 Os Batistas na América do Norte


A vinda dos Batistas para a América do norte está associada perseguição contra os dissidentes, que foram obrigados a abandonar a Inglaterra. Muitos fugiram para a Holanda, mas a grande maioria preferiu fugir para a América do Norte. Era o grupo dos Pilgrim Fathers, os pais peregrinos. Fretaram um pequeno navio, o May-Flower, e desembarcaram nas costas do atual Estado norte-americano de Massachussets em 1620. Os “pais peregrinos” chamaram de Nova Inglaterra região onde se estabeleceram e prosperaram. Fundaram cidades famosas como Boston e Salem, eram religiosamente congregacionais e ali eram vítimas da intolerância religiosa. Por isso organizaram também um sistema intolerante e teocrático em sua essência.

É importante, nessas considerações, mencionar a ação de Roger Willians, inicialmente educado no ministério anglicano em Cambridge, adotou as idéias separatistas, então deixou a Inglaterra, em direção a Boston, em 1631.

Daí dirige-se para a Igreja de Salem em 1634. Entretanto, a Corte Geral dirigida por Jonh Cotton, interveio e ordenou sua saída do território sob sua jurisdição em seis semanas sob a alegação de que o mesmo defendia o direito do índio á propriedade da terra, o que o colocava em contradição com a igreja oficial. Achava também que os magistrados não deviam ter qualquer poder sobre a religião do homem.

Foi obrigado a deixar a esposa e um filho numa casa de hipoteca e mergulhou na floresta num rigoroso inverno, até encontrar os índios, onde fundou Providence.

Em 1639 uma igreja foi fundada em Providence e todos os membros foram rebatizados, inclusive o próprio Willians.

Existem dúvidas quanto forma de batismo aplicada, mas de qualquer forma, os doze membros se organizaram segundo princípios batistas. Considera-se esta igreja a Primeira Igreja Batista Norte-Americana. Entretanto, as Igrejas Batistas Norte-americanas de Newport fundadas em 1638 disputam, segundo os documentos o título de Igreja Batista mais antiga dos Estados Unidos com a Igreja Batista de Newport surgida em 1648. Os Batistas nasceram na Inglaterra elizabetana, se desenvolveram nas colônias e estados norte-americanos e, se inseriram no Brasil imperial.



EM BREVE O 2º CAPÍTULO DESTA SÉRIE "UMA HISTÓRIA DOS BATISTAS".

NÃO PERCA!